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quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Tutorial: Novembro Azul

Oiê!
Novembro está quase acabando e eu não poderia deixar de fazer um tutorial para a campanha novembro azul, o mês de combate e prevenção ao câncer de próstata. Sei que a maioria dos homens não devem ler meus tutoriais, porém quem lê certamente conhece um homem – e aposto que ele tem sérios preconceitos em relação ao exame de toque. Para 2016, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estimou 61.200 novos casos de câncer de próstata, este é o câncer mais frequente em homens. Para você ter uma ideia, em 2012 estimou-se certa de 1 milhão de casos de câncer de próstata ao redor do mundo. Se diagnosticado precocemente, as chances de cura são altas. Por isso o diagnóstico precoce é tão importante. Homens, a partir dos 40 anos devem ir ao urologista e fazer todos os exames – assim como as mulheres fazem os dela. A sua saúde vale mais do que um preconceito! Incentive seu pai, seu avô, seu marido, seu companheiro, seu amigo e fazer os exames, com a frequência determinada pele médico. O diagnóstico precoce é a chave para o sucesso do tratamento.

Já dei meus recados, é hora do passo-a-passo!
Usei os seguintes produtos para preparar a pele:
- BB Cream, cor claro (Marina Smith)
- Fit Me! Concealer, 15 – Fair (Maybelline)
- FitMe! Matte+Poreless Powder, 120 – Classic Ivory (Maybelline)
- Natural Bronzer, cor 021 Sun Light (Rimmel)
- Blush, Rose Éclat (Bourjois)
Clique aqui para ampliar.
Nos lábios, um nudezinho com cor, o Marsala (Kiko).
O resultado você confere nas fotos!


Produtos utilizados:
- Endless Eyes Day to Night Palette (e.l.f.)
- Azuluxo (Quem disse, Berenice?)
- Mascara Exagerada (Quem disse, Berenice?) 

Bom, o tutorial é curtinho e bem simples. Nada muito marcado, um borradinho charmoso e muita praticidade. Gosto bastante desse tipo de maquiagem, nem é preciso ficar pensando muito para fazê-la.

O objetivo deste post é o alerta para o câncer de próstata. Infelizmente não consegui escrever um texto especifico do câncer de próstata, como fiz para o câncer de mama – fica para uma outra oportunidade. Se você tiver alguma dúvida ou sugestão de outros posts sobre a doença, deixa nos comentários que eu vou ficar feliz em te responder!


Até mais!

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Falando Sobre: Outubro Rosa e o Câncer de mama

Hoje vim falar de um assunto muito importante. Nos últimos anos, acredito que você tenha ouvido falar do Outubro Rosa, caso não saiba do que eu estou falando, vou contar um pouco. 
Tudo começou em NY em 1990, quando uma fundação de combate ao câncer de mama distribuiu laços cor de rosa aos participantes da primeira corrida pela cura do câncer de mama. Com o passar dos anos outras fundações começaram a fazer ações ao redor do mundo para prevenção, combate e cura do câncer de mama. Em 1997, as movimentações de fundações e instituições ficaram mais fortes e isso resultou no Outubro Rosa, que nada mais é do que um mês onde há várias manifestações, comemorações, corridas e atividades voltadas à conscientização, prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. A cada ano a campanha fica maior e hoje prédios e monumentos importantes são iluminados de rosa para participar de todo esse processo. Se você quiser saber mais, tem um site brasileiro sobre o Outubro Rosa e um americano (Pink October) com muito mais informações sobre a campanha.
No começo do ano eu postei um texto sobre as decisões da AngelinaJolie, lá expliquei algumas coisas sobre a parte genética e câncer hereditário. No post de hoje vou falar especificamente do câncer de mama.

O câncer de mama é o segundo tipo mais comum de câncer no mundo. De todos os novos casos de câncer diagnosticados ao decorrer de um ano, 25% são de mama! O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 57.120 novos casos serão diagnosticados só em 2015. E sim, homens também podem desenvolver a doença, mas correspondem à apenas 1% dos casos – normalmente está associada à doença familiar e síndromes.

São raros os casos de câncer diagnosticados antes dos 35 anos (provavelmente são casos hereditários) e depois dessa idade, as chances vão aumentando, principalmente após os 50 anos. Quanto mais velha for a pessoa, maior o acúmulo de exposição e alterações biológicas (como o envelhecimento) e assim, maior o risco de desenvolver a doença. Existem alguns fatores de risco que podem aumentar a chance de desenvolver o câncer de mama, tais como o tabagismo, a reposição hormonal, excesso de peso, ingestão de bebidas alcoólicas, entre outros.

Vamos falar da mama! Ela é constituída por lóbulos (onde produz leite), ductos (canais que ligam os lóbulos ao mamilo), gordura, tecido conjuntivo, vasos sanguíneos e vasos linfáticos. O local onde o tumor se desenvolver vai determinar o tipo do câncer de mama.
Há três tipos principais, o Carcinoma Ductal in situ, o Carcinoma Ductal Invasivo e o Carcinoma Lobular Invasivo. O primeiro é o câncer de mama em estágio inicial, surge nos ductos e não tem capacidade metastática, ou seja, as células cancerígenas não conseguem migrar para outros tecidos. Já o Carcinoma Ductal Invasivo é o tipo mais comum, também surge nos ductos e neste caso pode haver metástase. O terceiro tipo é o segundo mais comum, surge nos lóbulos e além da possibilidade de metástase, há risco de desenvolver a doença na outra mama e nos ovários.

Muitas vezes o câncer de mama em estágios iniciais é assintomático e exames de rotina podem detectar precocemente. Mas é sempre importante ficar atenta aos sintomas:
- Presença de caroço no seio ou na axila;
- Inchaço em parte do seio;
- Irritação da pele ou irregularidades;
- Dor ou inversão do mamilo;
- Vermelhidão ou descamação;
- Secreção (sem ser o leite) pelo mamilo.
No homem, os sintomas são bem parecidos. Assintomático no estágio inicial e o caroço cresce rapidamente.
Então, se você sentir algum desses sintomas ou alguma outra coisa diferente, vá ao médico! Lá ele vai te encaminhar para os exames adequados e aí o tratamento será escolhido com base no seu caso.

A detecção do câncer de mama é feita pela famosa mamografia. Ela deve ser feita anualmente (assim como outros exames ginecológicos preventivos) após os 40 anos. Porém, cada caso é único, e o seu médico irá te dizer quando começar a fazer a mamografia e de quanto em quanto tempo.

O tratamento do câncer de mama envolve o procedimento cirúrgico para a remoção do tumor. A cirurgia pode ser complementada com radioterapia, quimioterapia e/ou hormonioterapia. Como eu disse antes, cada caso é um caso e o tratamento adequado será escolhido baseado em você.

Câncer não é brincadeira, mas hoje, felizmente, há melhores tratamentos. A detecção precoce é a maior aliada ao tratamento, por isso os exames preventivos são tão importantes. Quanto mais cedo a doença for detectada, melhor a resposta ao tratamento e maiores chances de cura.

Se você tem alguma dúvida sobre o assunto, deixe perguntas nos comentários, tentarei responder da melhor maneira. E se sentir algo diferente, procure o seu médico!


Até mais!

Referências:
Outubro Rosa; Pink October; INCA; AC Carmargo Cancer Center

sexta-feira, 27 de março de 2015

Falando sobre as decisões da Angelina Jolie

Oiê!
O assunto de hoje é sério, bem sério. Durante minha graduação, tive algumas aulas sobre genética do câncer e desde 2012 trabalho em um laboratório de biologia molecular do câncer, onde desenvolvi minha monografia e atualmente faço meu mestrado. Em ambos trabalhos o tema é a genética do câncer. Na graduação, trabalhei com câncer de cabeça e pescoço e hoje tento descobrir uma possível síndrome em uma família com mais de 10 casos de cânceres em diversos órgãos. Estou contanto isso porque quero falar um pouco sobre a nova declaração de que Angelina Jolie deu no último dia 24.
Angelina Jolie (foto)
No dia 14 de maio de 2013, a atriz escreveu para o New York Times (NYT) sobre uma escolha que ela havia feito. Ela resolveu falar publicamente sobre a dupla mastectomia (retirada total das mamas) que ela havia feito. Com um histórico de câncer de mama e ovário na família, Angelina resolveu investigar. Ao final, os médicos observaram que a atriz apresentava um defeito no gene BRCA1, um gene que pode aumentar a probabilidade dela desenvolver o câncer de mama (entre outros), eles definiram que o risco da Angelina desenvolver um câncer era de 87%. A decisão da atriz retirar as mamas foi a partir de seu histórico familiar, sua mãe faleceu cedo em decorrência de um câncer, bem como sua tia e avó, assim ela se submeteu à cirurgia com o objetivo de retirar todas as células mamárias de seu corpo, reduzindo as chances do câncer se desenvolver.

Passaram-se 2 anos e ela voltou ao NYT para contar sobre sua nova decisão: a retirada de seus ovários e trompas. Naquele mesmo exame, onde os médicos estimaram o risco dela desenvolver o câncer de mama, eles também estimaram o risco da atriz desenvolver câncer de ovário, que era de 50%. Ela já pensava na possibilidade, mas foi a partir do resultado de um exame de sangue que a fez decidir. O exame mostrou uma possível inflamação, que poderia indicar um estágio inicial de câncer que poderia não ser detectado por outros exames. Feitos os outros exames, nenhum detectou nada, mesmo assim ela resolveu prosseguir com a cirurgia. Durante o procedimento, os médicos encontraram um tumor benigno.
Angelina Jolie (foto)
Bom, essa foi a história da Angelina, mas eu estou aqui para contar um pouco sobre a genética do câncer, quero explicar alguns conceitos básicos que vão ajudar a entender a decisão da atriz e por que isso não é a cura do câncer.

Hoje já se sabe que o câncer é uma doença genética, sim, alterações em genes levam ao surgimento de um câncer, mas nem todo câncer é hereditário, ou seja, passa de pai para filho (ou avô para neto...). Apenas 10% de todos os casos de câncer são hereditários, mas como vou saber se é hereditário ou não? Umas das primeiras coisas que levantam a suspeita de um câncer hereditário é o fato de 3 ou mais pessoas de mesma família (avô, pai e irmão, por exemplo) serem diagnosticadas com câncer em idade jovem. Então essa família pode (e deve) procurar um geneticista para investigar as possíveis causas, como a Angelina fez. Se algum gene defeituoso for encontrado, mais exames são realizados e parentes que não tem a doença também devem fazer o teste, pois se for hereditário, mesmo sem a doença a pessoa irá apresentar o mesmo gene defeituoso.

E como funciona essa história de gene defeituoso? Já estou doente?
Meu professor da graduação deu um exemplo muito simples e bom para explicar. Os genes estão presentes aos pares (são dois alelos), assim como o carro tem um farol no lado direito e outro no esquerdo, certo?! Agora imagine duas situações:

1- Você está andando em uma estrada deserta, sem iluminação, você cuidou bem no seu fusquinha antigo e ele está com os dois faróis funcionando.

2- Você está andando na mesma estrada, mas você não cuidou muito bem do seu fusquinha, ele está com um dos faróis queimados.

É mais fácil queimar os dois faróis na situação 1 ou queimar apenas um farol na situação 2? A chance de você ficar no escuro na estradinha deserta é 50% maior na segunda situação do que na primeira.

Voltando para o corpo humano... No câncer hereditário, a pessoa nasce com um alelo mutado (1 farol queimado), logo a chance dessa pessoa desenvolver o câncer é maior do que uma pessoa que não nasceu com esse gene defeituoso. Como as situações não são tão exatas quanto um farol de carro, não podemos falar que a chance é 50% maior, ela vai depender de diversas variáveis. Esse é um exemplo bem simplificado. Lembrando que mesmo com a presença de um alelo mutado, a pessoa pode nunca desenvolver o câncer.
São dois alelos, formando um par (fonte)
Então a Angelina descobriu que tinha a mutação do gene e retirou os seios e os ovários como medida preventiva. Sim, o procedimento funciona, mas não é indicada para todos os casos, por isso uma conversa com um médico esclarecido no assunto é muito importante. Que fique claro, a retirada do órgão não quer dizer que a doença nunca vai se desenvolver, as chances diminuem muito, muito mesmo, mas se restou 1 célula da mama e ela se tornar defeituosa, o câncer pode aparecer. Além disso, exames periódicos de controle e prevenção ainda serão necessários.

Sempre busque profissionais que podem te ajudar, isso é um assunto sério, mas hoje há diversos tratamentos disponíveis. Exames preventivos são muito importantes, pois graças à eles muitos cânceres são diagnosticados precocemente e as chances de recuperação e cura são maiores. A pesquisa do câncer é cada vez maior e todos os dias descobrimos alguma coisinha nova, mecanismos diferentes que podem nos ajudar a encontrar métodos detecção precoce, tratamento adequado e cura.

O post de hoje é meio maçante, mas eu acho super importante e gosto muito de falar sobre o assunto. Vocês querem mais textos assim? Se ficou alguma dúvida, pergunta para mim nos comentários, vou tentar responder da melhor maneira possível!

Cuide-se, faça exames preventivos, leve uma vida saudável e seja feliz!

See Ya!

Marque suas fotos com #PerspectivaLaranja e apareça por aqui!