Au!
Sou Uthred filho de Uthred. Nasci
cachorro, mas o destino me fez ser colocado como prisioneiro a venda em um pet
shop. Perdi minhas terras e minha liberdade*.
Me lembro que eu estava sozinho em um lugar pequeno, não era escuro,
tinham grades e vidros e eu conseguia enxergar pessoas, várias
pessoas. Elas sempre paravam e ficavam olhando para mim com cara uma cara
esquisita, nunca consegui entender. Um dia, uma moça, colocou a mão
no vidro e ela parecia diferente, então resolvi colocar minha patinha também, mas ela
foi embora...mais tarde, a moça do pet shop me tirou da gaiola e vi que a moça
e o moço do vidro tinham voltado e fizeram um carinho gostoso. De novo eles
foram embora... Dalí mais um tempo eles voltaram e a moça do vidro me pegou no
colo e quando percebi eu tinha conseguido escapar da gaiola! Me levaram para fora
e me colocaram em um carro, não gostei muito do passeio, mas cheguei em um
lugar grande onde me deixaram caminhar um pouco. Fui adotado por uma família
humana.

Nasci um cachorro no dia
05/04/16, tinha dois meses na época que me tiraram da gaiola e estou sendo
criado por humanos. Sou Uthred de Bebbanburg, agora Uthred Ragnarson e o
destino é tudo!*
Agora tenho uma casa, na verdade
são dos humanos, mas sei que posso tomá-la! Estou me preparando para marcar o
território e mostrar para os humanos que eu mando nessa casa, só preciso
crescer e treinar um pouco. Aprendi que a moça se chama Mariana e o moço,
André. Todos os dias eles saem e me deixam sozinho por um tempo no meu cantinho.
No começo eu achava que eles não iam voltar e eu iria ficar preso, mas eles
sempre voltam. Por isso, agora eu faço bastante bagunça para o tempo passar e
eles chegarem logo. Todos os dias eu ganho um prato com comidas gostosas antes deles saírem, sei que querem me enganar, mas não
posso recusar uma boa carne e uma cenoura – são tão deliciosas!
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| Primeiro dia com os humanos. |
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| Nada como um soninho gostoso! |
Quando meus senhores estão em
casa, eles brincam comigo. Eu gosto! Eles me fazem carinho, jogam bolinha e me
dão frango quando eu faço umas coisas para eles. Não entendo porque eu tenho
que sentar, deitar e dar a patinha, o que importa é o frango. Até faço as
coisas sem eles mandarem para ver se eu ganho alguma coisa, mas nem sempre dá
certo. Existe um lugar na casa em que não
posso entrar, é lá que eles guardam a comida – não a minha ração, a comida de
verdade. Antes eles brigavam comigo, agora eles colocaram uma grade, igual à do
meu cantinho, que me impede de entrar. Quando eles estão nesse lugar, faço de tudo
para chamar a atenção deles, distraí-los e entrar do paraíso. Ainda não posso
andar pela casa sozinho e pelo o que eu entendi é porque faço xixi e cocô em
qualquer lugar. Veja bem, porque eu tenho que andar até um canto e fazer minhas
necessidades lá?! Dá muito trabalho e eu prefiro brincar!
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| Minha dona, Mariana! |
Lá na gaiola com vidro eu tinha
um companheiro, uma raposinha laranja que o André chama de Ubba, seja ele quem
for, eu adoro morder e carregar comigo aonde eu for. Ganhei outro companheiro
depois que cheguei em minha casa, um macaco chamado Guthrum. O André arranja
uns nomes muito diferentes por aqui! Esses são meus brinquedos favoritos junto
uma bolinha que tem cheiro do pé do meu dono.
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| Eu e o Ubba! |
Por mim eu ficava o tempo todo
dentro de casa, odeio andar de carro...só de pensar já começo a babar. Já sai
algumas vezes e sempre fico meio enjoado. Olha, vários humanos invadiram a
minha casa para brincar comigo, então porque sair de casa?! Uma vez sai para ir
a um lugar maior e com mais gente, todos me fizeram carinho. O humano macho,
acho que era pai do André, colocou um pedaço de madeira para me impedir de
passar. Como se um pedaço de madeira fosse me impedir de conquistar mais um
lugar! Outra vez a Mariana me levou de volta ao lugar onde ficava a gaiola e eu
estava com mal pressentimento. Lá uma moça me picou, doeu, mas eu não podia
demonstrar, afinal sou Uthred de Bebbanburg!
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| Lugar bonito com grama e pedrinhas. Liberdade! |
Nos últimos dias eu pude explorar
o mundo depois da minha casa. Me colocaram uma coleira (até já gosto dela) e me
levaram para caminhar em um lugar com muitos cheiros. Fiquei um pouco
assustado, mas agora tenho vontade de explorar mais e mais! Não gosto muito de
encontrar outros cachorros, é mais legal encontrar com humanos, eles sempre me
dão atenção sem querer me atacar. Também já me levaram de carro para um lugar
muito bonito, com grama e pedrinhas, adorei brincar lá, o problema é o carro,
bem que eu podia voar!
Estou muito contente em minha
nova casa, me sinto amado e querido. Não tem coisa melhor do que acordar e
encontrar com o André e a Mariana para receber um carinho gostoso na barriga.
Agora tenho três meses, ainda sou um filhote, mas não vejo a hora de explorar o
mundo, sem medo do que vou encontrar no meio do caminho.
O destino é tudo!
Auau!
*adaptado do livro O último Reino de Bernard Cornwell.